Drywall e steel frame na mesma obra, e a divisão de funções
Drywall e steel frame se completam na obra. O aço sustenta a estrutura e o drywall faz as divisórias. Entenda a divisão e a NBR 15758.

Neste artigo
A construção a seco com drywall e steel frame é um método em que a estrutura e os fechamentos são montados com perfis metálicos e placas, sem o trabalho molhado da alvenaria tradicional.
Os dois sistemas aparecem juntos com frequência, mas cada um entrega uma coisa diferente. Quem pesquisa drywall e steel frame juntos quer saber o que cabe a cada sistema, onde um termina e o outro começa e como pedir os dois sem deixar lacunas entre a fundação e o acabamento. Saber essa divisão evita pedidos incompletos e encontros mal resolvidos na obra.
Este texto responde a essas dúvidas com base nas normas brasileiras de cada parte. Antes de qualquer decisão, lembre que obra estrutural exige profissional habilitado, com responsabilidade técnica registrada no conselho de classe. O que segue ajuda a entender o assunto e a conversar com o projetista, mas o projeto de quem assina a obra vem sempre na frente.
Drywall e steel frame, cada um com seu papel
O steel frame sustenta a edificação, e o drywall fecha os ambientes internos. Essa diferença define quem projeta cada parte, como cada item é comprado e onde costuma começar o retrabalho.
O steel frame é a estrutura formada por perfis leves de aço galvanizado, conformados a frio. Esses perfis recebem as cargas de pavimentos e de cobertura e as transmitem às fundações, por isso a seção de cada peça é definida pelo projeto estrutural. Trocar um perfil por outro de medida parecida não é uma troca neutra, e quem decide isso é o engenheiro responsável.
O drywall é o fechamento que se apoia nessa estrutura. Ele usa chapas de gesso parafusadas em guias e montantes metálicos para formar paredes, forros e revestimentos. A mesma camada separa os cômodos, recebe as instalações elétricas e hidráulicas e serve de base para pintura ou revestimento cerâmico.
Um detalhe costuma passar despercebido. O drywall não é um acabamento menor, porque tem norma própria e cobre paredes, forros e revestimentos. Por isso, a combinação com o steel frame precisa ser decidida no projeto, e não pela preferência de quem compra.
Se a dúvida ainda é qual estrutura usar, o texto Steel frame ou alvenaria: como decidir para a sua obra compara os critérios antes desta etapa.
A exceção mais comum aparece quando uma parede de drywall recebe carga, como prateleira, armário suspenso ou cuba. Nesse caso, o peso precisa ser informado ao projetista, que define o reforço ou a fixação adequada, e não deve ser resolvido na improvisação da obra.
Na prática, o erro que mais aparece é tratar o drywall como acabamento que se resolve depois que a estrutura estiver de pé. Quem define o traçado das paredes internas sem olhar o projeto estrutural costuma descobrir tarde que a parede escolhida cai sobre um vão sem apoio. Antes de comprar qualquer chapa, vale conferir o desenho de estrutura e o de vedação lado a lado.
Estrutura e vedação não são a mesma coisa
A estrutura carrega o peso da edificação, enquanto a vedação separa os espaços. A norma de desempenho trata as vedações como um sistema próprio, e isso muda o que se exige delas.
A NBR 15575 é a norma de desempenho para edificações habitacionais. Sua Parte 4 cobre os sistemas de vedações verticais internas e externas, identificados pela sigla SVVIE, e recebeu proposta de emenda em consulta nacional aberta em 2021, conforme a CBIC.
Nas paredes internas, o requisito que mais pesa na prática é o acústico, e ele precisa estar especificado no projeto desde o início. A execução também conta. Portas mal vedadas e juntas abertas são pontos que o projeto não resolve sozinho, e o desempenho final depende de como a parede foi montada.
O que costumo ver é o cliente escolher a parede pela espessura e esquecer o isolamento. Quem precisa de silêncio entre quartos deve pedir a especificação acústica junto com o pedido das placas, e não depois da montagem.
Quais normas orientam cada parte
A estrutura em perfis leves de aço segue a série ABNT NBR 16970, e o drywall segue a ABNT NBR 15758. As duas normas se complementam, e o desempenho exigido pela NBR 15575 vale para as paredes que resultam delas.
A série NBR 16970 trata de sistemas estruturados em perfis leves de aço formados a frio, com fechamentos em chapas delgadas. Ela tem três partes, e a primeira cobre o desempenho, a segunda o projeto estrutural e a terceira as interfaces entre sistemas. Em 2022, a CBIC divulgou o escopo de cada parte, ainda em consulta nacional.
A NBR 15758 trata de projeto, desempenho, procedimentos executivos de montagem e manutenção de paredes, forros e revestimentos em chapas de gesso para drywall. Ela esteve em consulta nacional em 2025, segundo a CBIC, e por isso a edição vigente deve ser conferida na ABNT antes de qualquer citação formal.
Cada norma é uma referência, e não uma receita. Quem executa precisa de projeto assinado por profissional habilitado, e a memória de cálculo deve citar a edição usada.
Na prática, o pedido que mais atrapalha é o que cita uma norma sem a edição. Antes de fechar a compra, confirme com o projetista qual edição consta no memorial, porque o número sem o ano deixa a especificação aberta a interpretações.
Onde o drywall entra numa obra em steel frame
No steel frame, o drywall costuma ocupar as paredes internas e os forros, sempre depois que a estrutura e as instalações principais estiverem definidas. Quando essa ordem é respeitada, a montagem segue sem recortes improvisados.
No caso das paredes internas drywall em steel frame, a sequência costuma ser esta: estrutura e fundações, fechamento externo, passagem das instalações dentro dos perfis, fechamento das paredes internas, forros e, por último, acabamento. As etapas e a ordem de cada uma estão em Etapas da obra em steel frame, da fundação à entrega.
Uma reportagem do Estado de Minas, de julho de 2026, trata o drywall como forro de gesso acartonado ao lado do steel frame, e não como estrutura. Já uma dissertação de 2013 da UFMG sobre light steel framing usa o drywall como referência comparativa e cita a edição de 2009 da NBR 15758, em três partes, o que mostra como a norma aparece em versões diferentes em trabalhos antigos.
Em obra de steel frame, eu costumo pedir que o drywall seja o último fechamento a entrar em cada parede. Assim, os eletricistas e os hidráulicos terminam antes, e ninguém precisa abrir a parede de novo para passar um cabo.
Como coordenar o pedido dos dois sistemas
Coordene os dois pedidos com um único cronograma e um desenho de interfaces, porque cada encontro entre estrutura e vedação precisa estar definido antes da compra. As interfaces são o ponto em que a obra mais costuma travar.
Quando se fala em drywall com steel frame, a questão central está nesses encontros: a fixação das guias, o alinhamento de níveis, o encontro com as esquadrias, a passagem das instalações e os pontos de reforço para carga. A parte da série NBR 16970 dedicada às interfaces entre sistemas existe justamente para tratar desse tipo de encontro.
Dividir a compra entre fornecedores sem conversar com o projetista é o caminho mais curto para sobras, faltas e encaixes ruins. O pedido fica mais seguro quando a lista de materiais sai do projeto, e não da memória de quem compra.
A coordenação não resolve tudo. Se o projeto estrutural mudar depois da compra do drywall, as placas e os perfis de vedação podem ficar fora de medida, e a troca de material exige nova compra e nova montagem.
O que eu recomendo é uma reunião técnica antes da primeira compra, com estrutura, vedação e instalações sobre a mesma planta. Quem pula essa etapa costuma perder mais tempo depois do que economizou na negociação.
Passo a passo para pedir os dois sistemas juntos
Peça os dois sistemas a partir de um só conjunto de projetos, seguindo esta ordem.
- Confirme com o projetista quais paredes são estruturais e quais são de vedação.
- Defina as interfaces, ou seja, onde o drywall encontra a estrutura, as lajes e as esquadrias.
- Marque sobre a planta as instalações que atravessam as paredes e os pontos com carga pendurada.
- Peça os perfis e os componentes estruturais conforme o projeto de estrutura, com a referência à parte da NBR 16970 adotada.
- Peça as chapas, perfis e acessórios de vedação com o tipo de placa e a espessura indicados no projeto, conforme a NBR 15758.
- Confira o recebimento com o responsável técnico antes de iniciar a montagem dos forros e do acabamento.
Cada passo depende do anterior. Se o projetista não definir quais paredes são estruturais, o pedido de perfis fica incompleto, e o pedido de chapas pode sair errado.
Na prática, o passo que mais economiza tempo é o terceiro. Marcar as instalações sobre a planta antes da compra evita o que mais atrasa a montagem, que é descobrir um tubo no lugar onde o perfil já foi fixado.
Como os dois sistemas se comparam
Os dois sistemas se diferenciam pelo papel na obra, pelo material, pela norma de referência e pelo responsável de projeto. A tabela resume essas diferenças.
| Critério | Steel frame | Drywall |
|---|---|---|
| Papel principal | Estrutura que sustenta a edificação | Fechamento de paredes, forros e revestimentos |
| Material | Perfis leves de aço galvanizado, conformados a frio | Chapas de gesso fixadas em guias e montantes |
| Norma de referência | Série ABNT NBR 16970 | ABNT NBR 15758 |
| Projeto que define o detalhe | Projeto estrutural | Projeto de vedação e de instalações |
| Ponto de atenção | Ligações e interfaces com fundações e lajes | Cargas penduradas, áreas molhadas e juntas entre placas |
A tabela não substitui o projeto, mas ajuda a conferir se o pedido responde às perguntas certas. Se uma linha ficar vazia na sua obra, a conversa com o projetista deve começar por ela.
Na prática, a linha que mais sai em branco é a do projeto responsável. Ela parece burocrática, mas é a que define quem responde se uma interface der problema. Vale preencher antes de qualquer compra.
Riscos e limites do pedido conjunto
O pedido conjunto não elimina riscos de umidade, de carga pendurada e de desempenho acústico mal especificado. Esses são os pontos em que o projeto precisa ser mais claro.
Em áreas molhadas, como banheiros e cozinhas, o projeto de vedação deve indicar placa e proteção próprias para umidade, e essa escolha não pode ficar para a obra. Em paredes que recebem carga, o peso precisa constar no projeto, com o reforço definido pelo responsável técnico. Em paredes que separam quartos e salas, o desempenho acústico segue a NBR 15575, e a especificação deve ser pedida junto com as placas.
Usar dois sistemas a seco também não garante prazo menor. Uma sequência mal definida gera retrabalho, e o retrabalho consome exatamente o tempo que a construção a seco pretendia economizar.
O que eu vejo com mais frequência é o cliente pedir a obra a seco como se ela dispensasse projeto. Ela dispensa a obra molhada, não o planejamento. Quem trata a coordenação como detalhe costuma pagar a diferença depois.
Perguntas frequentes sobre drywall e steel frame na mesma obra
As dúvidas abaixo aparecem com frequência quando a obra combina os dois sistemas. As respostas são curtas, mas cada uma aponta para a decisão que mais pesa na prática, e todas dependem do projeto da obra em questão.
Drywall e steel frame são a mesma coisa?
Não são. O steel frame é a estrutura formada por perfis leves de aço galvanizado, enquanto o drywall é o fechamento feito com chapas de gesso sobre guias e montantes. Os dois podem aparecer na mesma obra, mas cada um tem norma, função e responsável técnico próprios.
Dá para usar steel frame sem drywall?
Dá, porque a escolha do fechamento pode ser feita no projeto, conforme o desempenho desejado, o custo e a manutenção que o cliente aceita. Cada opção traz limites próprios, e esses limites precisam aparecer no projeto antes da compra. Na prática, o cliente precisa comparar desempenho, custo e manutenção lado a lado, sem tomar a decisão pela aparência.
Qual norma regula o drywall no Brasil?
A norma de referência é a ABNT NBR 15758, que trata de projeto, desempenho, procedimentos executivos de montagem e manutenção de paredes, forros e revestimentos em chapas de gesso. Ela esteve em consulta nacional em 2025, por isso vale confirmar a edição vigente no site da ABNT antes de citar o número em contrato.
O drywall pode ir em área molhada?
Depende do tipo de placa e do acabamento. Banheiros e cozinhas pedem placa e proteção específicas para umidade, e isso deve estar descrito no projeto de vedação. A execução precisa seguir a especificação, sem substituições de última hora feitas na obra. Trocar a placa na véspera da montagem é um dos ajustes que mais geram problema depois.
Quem assina o projeto de parede em steel frame com drywall?
Em geral, o projeto estrutural é assinado por engenheiro, e o projeto de vedação pode ter responsável de arquitetura ou de engenharia, conforme a obra. Em qualquer caso, o profissional precisa de responsabilidade técnica registrada no conselho de classe, e deve conferir a interface entre os dois sistemas antes da montagem.
Como saber se uma parede é estrutural?
A resposta vem do projeto estrutural, e não da aparência da parede. Uma parede que recebe carga de pavimento superior ou de cobertura pode ter função estrutural, e abri-la ou removê-la sem análise é um erro grave. Em caso de dúvida, peça parecer ao responsável técnico antes de qualquer intervenção.
Conclusão
Para a maioria das obras, a decisão mais segura é tratar o steel frame como estrutura e o drywall como vedação, e pedir os dois a partir de um mesmo conjunto de projetos. Essa divisão deixa claro quem responde por cada parte e reduz o retrabalho na interface entre elas.
A resposta muda quando o projeto define uma parede como estrutural, quando o ambiente é molhado ou quando o cliente exige desempenho acústico acima do básico. Nesses casos, o primeiro passo é levar a planta ao projetista e pedir a especificação completa, antes de qualquer compra. Na construção a seco drywall e steel frame, a coordenação é o que sustenta o resultado.
Começar pela coordenação custa pouco e evita a parte mais demorada da obra, que é desfazer uma parede já montada. Confira a norma vigente, marque as instalações e defina as interfaces antes de cortar a primeira placa.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação de engenheiro ou arquiteto habilitado, que deve definir o sistema, as cargas e as interfaces de cada obra.
Perguntas frequentes
- Drywall e steel frame são a mesma coisa?
- Não são. O steel frame é a estrutura formada por perfis leves de aço galvanizado, enquanto o drywall é o fechamento feito com chapas de gesso sobre guias e montantes. Os dois podem aparecer na mesma obra, mas cada um tem norma, função e responsável técnico próprios.
- Dá para usar steel frame sem drywall?
- Dá, porque a escolha do fechamento pode ser feita no projeto, conforme o desempenho desejado, o custo e a manutenção que o cliente aceita. Cada opção traz limites próprios, e esses limites precisam aparecer no projeto antes da compra. Na prática, o cliente precisa comparar desempenho, custo e manutenção lado a lado, sem tomar a decisão pela aparência.
- Qual norma regula o drywall no Brasil?
- A norma de referência é a ABNT NBR 15758, que trata de projeto, desempenho, procedimentos executivos de montagem e manutenção de paredes, forros e revestimentos em chapas de gesso. Ela esteve em consulta nacional em 2025, por isso vale confirmar a edição vigente no site da ABNT antes de citar o número em contrato.
- O drywall pode ir em área molhada?
- Depende do tipo de placa e do acabamento. Banheiros e cozinhas pedem placa e proteção específicas para umidade, e isso deve estar descrito no projeto de vedação. A execução precisa seguir a especificação, sem substituições de última hora feitas na obra. Trocar a placa na véspera da montagem é um dos ajustes que mais geram problema depois.
- Quem assina o projeto de parede em steel frame com drywall?
- Em geral, o projeto estrutural é assinado por engenheiro, e o projeto de vedação pode ter responsável de arquitetura ou de engenharia, conforme a obra. Em qualquer caso, o profissional precisa de responsabilidade técnica registrada no conselho de classe, e deve conferir a interface entre os dois sistemas antes da montagem.
- Como saber se uma parede é estrutural?
- A resposta vem do projeto estrutural, e não da aparência da parede. Uma parede que recebe carga de pavimento superior ou de cobertura pode ter função estrutural, e abri-la ou removê-la sem análise é um erro grave. Em caso de dúvida, peça parecer ao responsável técnico antes de qualquer intervenção.



